Dados mostram quanto o INSS ‘’economiza’’ com as mortes de idosos pela covid-19

Dados mostram quanto o INSS ‘’economiza’’ com as mortes de idosos pela covid-19

O cenário lamentável de mais de 503 mil mortes no Brasil, causadas pelas complicações geradas com a infecção com o coronavírus até esta terça-feira (22), também gera “economia” aos cofres (INSS) e do Governo Federal. Isso porque os óbitos se concentraram, durante algum tempo, em pessoas com mais de 60 anos, idade em que boa parte dos trabalhadores já se aposentaram, eram pensionistas, ou estariam prestes a descansar de suas atividades trabalhistas.

Conforme números do sistema DataSUS, em junho de 2020, 73% das mortes se concentraram na faixa etária da aposentadoria. Em 2021, 71% das mortes com essa mesma idade se concentraram no mês de junho. Em percentuais, junho do ano passado teve 23% dos óbitos em pessoas entre 60 a 69 anos; 25% de 70 a 79 anos; 19% de 80 a 89 anos; e 6% 90 anos ou mais. No mesmo mês, mas em 2021, os óbitos alcançaram 24% da população entre 60 e 69 anos; 25% daqueles entre 70 e 79; 17% dos que tinham entre 80 e 89 e 5% de idosos com 90 anos ou mais.

Dados de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), incluindo a covid-19, apontam que, em junho de 2020, havia 60 mil mortos nesta faixa etária. Em junho de 2021, 500 mil. Em torno de 187 mil pessoas na faixa etária da aposentadoria morreram no último ano. A aposentadoria média paga pelo INSS foi de R$ 1.477,56 em março de 2021, segundo o Boletim Estatístico da
Previdência Social. Levando em conta esses números, o INSS teria economizado, em média, cerca de R$ 222 milhões.

De maio 2020 a maio 2021, a média “economizada” é estimada em R$ 346 milhões. No ano passado, até o mês de maio havia registro de 46.382 mortes acumuladas por covid. No acumulado até maio deste ano o número saltou para 436.412.

Impacto
Para o geógrafo e consultor especializado em desenvolvimento regional, William Passos, apesar do Auxílio Emergencial e outras medidas para diminuir o impacto da pandemia, com o trabalho remoto e outras mudanças, o governo economizou muito dinheiro. No caso do INSS, o elevado número de óbitos na faixa etária a partir dos 60 anos significou uma economia elevada e, quanto mais pessoas aposentadas morrem, mais o instituto economiza. Já para os municípios, especialmente os do interior, as aposentadorias e pensões correspondem a um dinheiro garantido e muito importante que entra em circulação todo mês e movimenta o comércio e muitos serviços. “É muito importante lembrar que os aposentados e pensionistas, muitas vezes, seguram as despesas também de outros familiares, ajudando a filhos e netos. Quando eles morrem, essas famílias, além da dor da perda familiar, ficam sem essa importante fonte de renda.
Consequentemente, o comércio e os serviços vendem menos, podendo, inclusive, terem que demitir por isso. Não há oposição entre saúde e economia. Governo que não cuida da saúde das pessoas prejudica a economia. Gente doente não trabalha. Gente morta não consome”, aponta.

Dado local
Só em Ipatinga, a estimativa do consultor é que as mortes por covid-19 tiram cerca de R$ 15 milhões por mês da circulação da economia, por causa do fim dos pagamentos das aposentadorias e pensões do INSS. “Como as mortes vêm crescendo exponencialmente, a cada mês que passa o dinheiro retirado da economia vai crescendo. Estes números são estimados com base no valor médio das aposentadorias e pensões e no número de óbitos registrados”, pontua.

Fonte: Jornaldiariodoaco 23/06/2021

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