Varíola dos macacos: CUT orienta trabalhador como se prevenir e quais seus direitos

Varíola dos macacos: CUT orienta trabalhador como se prevenir e quais seus direitos

Em reunião do Coletivo Nacional de Saúde da CUT Nacional médico e especialistas debateram o futuro do SUS e as preocupações com os cuidados no ambiente de trabalho com a varíola dos macacos

O Brasil é o terceiro país do mundo com maior número de pessoas infectadas pela varíola dos macacos, com 4.493 casos detectados. A doença que é transmitida pelo contato da pele, por gotículas respiratórias como tosses e espirros, tem sido motivo de preocupação da classe trabalhadora por ser altamente transmissível e por requerer, no mínimo, 14 dias de isolamento do infectado.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto uma emergência de saúde global em julho deste ano.  No mundo foram registrados até a última quinta-feira (25), mais de 41 mil casos e 12 mortes, em 96 países. Segundo o órgão, a maioria dos casos se concentra nos Estados Unidos, com 34%. O governo brasileiro, por enquanto, diz não ver requisitos para classificar a doença como emergência nacional.

Diante da falta de vacinas no mercado e com a morosidade do governo federal em comprar imunizantes, a CUT Nacional, durante a reunião do Coletivo Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, em que debateu o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS), levantou também a preocupação com o aumento da doença no país.  O tema foi debatido com o médico infectologista do Hospital Universitário da USP, Gerson Salvador; a secretária de Saúde do Trabalhador da entidade, Madalena Margarida da Silva e o secretário de comunicação, Roni Barbosa, na semana passada.

Durante o coletivo, a CUT Nacional lançou um vídeo, que está disponível em suas redes sociais, em que orienta os trabalhadores sobre os cuidados no ambiente de trabalho, seus direitos e como os sindicatos devem agir na proteção aos trabalhadores.

“O objetivo dessa reunião foi, além de discutir o futuro do SUS, ajudar os secretários de saúde das confederações e CUTs estaduais, com o vídeo, a levar informações sobre a varíola dos macacos e quais os procedimentos que os sindicatos devem fazer. Nossa orientação é que o trabalhador procure o sindicato da sua categoria ou o Centro de Referência de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora [Cerest], para emitir a CAT [Comunicação de Acidente de Trabalho] para que  tenha seus direitos preservados”, diz Madalena.

A secretária de saúde da CUT Nacional ressalta ainda que as informações relativas à doença no ambiente de trabalho são necessárias para analisar a exposição ocupacional do trabalhador ao risco de infecção, investigando os contatos, a condição de trabalho, os aspectos psicossociais do trabalho, o deslocamento do domicílio para o trabalho e vice-versa, e quais as medidas de prevenção coletiva e individual foram adotadas. De modo geral o objetivo final da investigação epidemiológica desses casos é confirmar a relação da varíola dos macacos com o trabalho ou descartar essa hipótese.

Confira mais orientações no vídeo

 

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Campanhas de vacinação patinam

Para Madalena, a falta de campanhas vacinais tem interferido na imunização da população brasileira, não só em relação à varíola dos macacos, como da covid-19 Margarida e outras doenças.

“Este é um governo negacionista, que não incentiva à vacinação e o resultado é que nunca vimos no país, uma queda tão acentuada no número de vacinados, de doenças em que éramos referência no combate”, diz Madalena, que cita a vacinação contra a poliomielite.

Segundo o Sistema de Informações do Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI), as doses previstas para a vacina inativada contra a pólio atingiram a meta pela última vez em 2015, no governo Dilma Rousseff (PT), quando a cobertura foi de 98,29% das crianças nascidas naquele ano.

Depois de 2016, ano do golpe contra a ex-presidenta, a cobertura caiu para menos de 90%, chegando 84,19% no ano de 2019.

Em 2020, a pandemia de Covid-19 impactou as coberturas de diversas vacinas, e esse imunizante chegou a apenas 76,15% dos bebês.

Em 2021, que ainda pode ter dados lançados no sistema, o percentual ficou abaixo de 70% pela primeira vez, com 69,9%. A meta mundial é a proteção de 95% das crianças.

Anvisa libera importação da vacina contra varíola dos macacos

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) liberou, na última quinta-feira (25), a importação da vacina contra a varíola dos macacos da empresa Bavarian Nordic A/S, fabricada na Dinamarca e na Alemanha, e do medicamento Tecovirimat, antiviral usado no tratamento da doença.

Mas o governo federal comprou apenas 50 mil doses junto à Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), o que sequer dá para imunizar os trabalhadores da saúde, estimados em todo país em torno de 3,5 milhões, entre médicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, odontólogos, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, entre outros. A vacina comprada, diz o governo brasileiro,  será destinada aos trabalhadores que lidam diretamente com o vírus em laboratórios. A expectativa é de que 20 mil doses cheguem ao país em setembro e o restante em outubro.

Outra recomendação da Anvisa é que a vacina deverá ser aplicada apenas em adultos com 18 anos ou mais, apesar da doença já ter sido detectada até em bebês. Na Bahia, um bebê de 60 dias e outro em São Paulo, de 10 meses foram diagnosticados com a doença. Na capital paulista, 23 crianças menores de 10 anos também contraíram a varíola dos macacos.

Já o antiviral Tecovirimat poderá ser usado com concentração de 200 mg no tratamento de adultos e crianças que pesem no mínimo 13 kg. O medicamento é de uso oral.

FONTE: CUTBRASIL

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